sexta-feira, 21 de junho de 2013

Capítulo 2 - Batata frita e Hamburguer

- Sair pra ir no cinema? - pergunto, também ficando envergonhada.
- Também.
Eu olho para seus olhos com medo que eles saíam do lugar.
- Me... desculpa – ele gaguejou – Não foi minha ... minha ... intenção. Me desculpe mesmo.
Eu não sabia o que fazer. Queria beijá-lo e sentir o suor de seus corpo encostado no meu. Mas ao mesmo tempo eu não quero prejudicar sua vida. Ele deve ter tantos amigos. Imagina se um deles descobre que ele está saindo com uma garota sem peito, careca e doente?
Seria o fim da vida dele.
Sem hesitar, levanto-me e olho bem profundo, dessa vez, nos seus olhos. ‘’Desculpe-me’’, espero que ele tenha recebido o recado. Volto para o hospital e dou minha última olhada no Jim e nos seus olhos verde-mar.

~ 1 mês depois ~

Jim não existe mais.
Desde quando o dei um fora (nem sei se chegou a ser um fora mesmo, aliás, nem nos conhecíamos) no Jardim das Margaridas, nunca mais o vi, nem ouvi seu nome e nem olhei para seus lindos olhos. Faz três dias que tive minha nona consulta ao Dr. Gray e os resultados não foram bons.
Puta que pariu. Era só essa que me faltava.
Meu tumor aumentou.
- Senhora Singer acalme-se, por favor! – o Dr. Gray gritava e sua voz rouca e velha atormentava meus ouvidos. E se virou para a recepcionista que veio ver qual era o motivo do grito – Traga um copo d’ água para ela por favor!
 Um copo d’ água. Foi em um simples encontro de copos d’ águas que eu conheci o Jim.
‘’Esquece ele, pelo amor de Deus’’, pensei mais meus pensamentos estavam perdidos em olhos verdes-mar.
Desde que Jim sumiu da minha vida, eu fiquei um pouco mais rebelde (como pensa minha mãe). Foi como um amor à primeira vista ... eu não consigo esquecê-lo. Tenho medo de estar amando, e só de pensar que eu estou ‘’gostando’’ de alguém já me dá um arrepio na espinha.
E para piorar, o resultado também veio para a minha doença. Constrangedor, né? 
Eu sempre tomo os remédios em dia, é claro, com uma mãe que segue a tua sombra onde quer que você vá, é impossível não tomar. Então, acho que Jim longe de mim fez minha saúde piorar.
O Jim é uma doença para mim.

Já se faz uma semana desde a última consulta minha ao Dr. Gray, e depois do escândalo da minha mãe e da apresentação do diagnóstico, minha mãe já marcou para amanhã uma consulta ao oncologista. Sinto medo só de pensar tendo que fazer quimioterapia.
- Mãe estou com fome. – digo, friamente, pois ontem nós brigamos porque eu queria assistir um reality show de moda na TV e ela queria assistir um programa idiota em que uns homens ficavam levantando peso. Nem é Olimpíada, certo? – Tem o que para comer?
Ela não responde. Tiro os fones de ouvido do meu celular e vou para a cozinha. Chegando lá minha mãe está sentada na cadeira oval que ocupa o noventa e três por cento da cozinha. Seus olhos estavam encharcados de lágrimas.
- O que foi?... – gaguejo.
- Acabei de receber uma ligação do Dr. Gray – ela enxugou as lágrimas com o dedo e soluçou – Você terá que fazer transplante.
Não digo nada, o que sai da minha boca mesmo é ‘’Ah’’.
- Transplante? – pergunto.
- Sim. De hemácias e plaquetas.
Assenti.
- Não vai doer não, né? – pergunto.
- Não sei. Nunca fiz para saber. Você me conta depois.
Faço uma careta com a língua para ela e ela ri.
- Vá para o quarto. Já levo alguma coisa para você comer lá.

Hoje quando acordei tive uma péssima notícia.
Fui ao banheiro e escovei meus dentes para retirar o mal hálito. Depois do banho fui tomar café da manhã com minha mãe em uma padaria e fomos para o Dr. Yan, o oncologista em que minha mãe tinha marcado minha consulta.
A recepcionista pediu minha ficha e minha mãe disse que eu era nova ali.
- Carteira de identidade? – ela perguntou e minha mãe entregou à ela. Se tem uma coisa que eu odeio é o meu RG. Porque tem que tirar foto séria?
Depois de fazer meu cadastro nessa clínica idiota, minha mãe e eu ficamos sentadas no sofá esperando a hora da consulta.
- Leia uma revista. – disse minha mãe apontando para o revisteiro – Ler é ótimo.
- Mãe, tenha uma noção do que eu gosto de ler: se você me der algum livro interessante, tipo Diário de um Banana ou até mesmo O Manual do Câncer eu leio. – digo e ela ri – Mas agora não venha com essas revistas de fofoca não.
Ela fez careta.
O médico apareceu. Meu deus, como ele era feio. Para começar ele era anão. Não sou preconceituosa (e nem devo ser), mas até eu era maior que ele. E tinha um bigode do tipo Hitler que me dava nojo na espinha. Por um momento eu desejei a leucemia do que ser a mãe dessa pessoa.
- Sra. Tiffany Singer – e para piorar a voz dele parecia a do Gollum do Senhor dos Anéis.
Ao chegar no consultório, senti cheiro de borboletas e perfume de mel. Esqueci a feiura do médico e fiquei sentindo a brisa.
Minha mãe entregou meus exames ao médico anãozinho e ele avaliou com seus olhos pretos que parecia ovos de codorna de um lado para o outro.
Ficamos por volta de algumas horas no consultório. ‘’ Espero que quem esteja do lado de fora não seja nervoso ‘’, pensei, mas não era isso que me preocupava. E sim quanto tempo eu teria uma visão boa, porque comecei a sentir sinal de cegueira de tanto ver o Dr. Yan.
Depois do término da consulta e de fazer alguns exames fiquei feliz por não estar mais perto do Dr. Yan-da-voz-do-Gollum.

Passou-se uma semana e ontem mesmo eu fiz o transplante de hemácias e plaquetas. Fui de novo ao Dr. Gray mais Jim não estava lá. ‘’Vadio’’.
Minha saúde estava melhorando, o que fez o Dr. Gray pensar que aí estava o caminho para a minha cura.
Minha mãe que agora estava mais feliz do que ALF, o ETeimoso pulava de alegria. Para comemorar íamos ao McDonald’s comer batata frita e hambúrguer.
- Filha vai querer hambúrguer de que?
- Um McChicken, por favor. – ela assentiu – Vou ir procurar um lugar, ok??
Ela fez que sim com a cabeça. O McDonald’s estava lotado, não tinha nenhuma mesa sem ocupante, exceto uma que estava parada lá no fim do corredor.
Mas no momento em que pisquei meus olhos uma pessoa já tinha sentado lá.
E essa pessoa era Jim.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Jardim das Margaridas



Capa :) 

Capítulo 1 - O Jardim das Margaridas :)

  Os seus olhos verde-mar encontram-se com os meus.
   ''Putz'' , pensei, '' não é todo dia que vejo um desses. ''
   Seus cabelos são loiros com tons pretos e liso. Ele é forte e musculoso,  parece até aqueles homens que só vivem para malhar.
   '' Ele nunca olharia para mim, uma careca da vida '' penso e depois olho para minha careca coberta pelo capuz do casaco.
   Ele andou em direção a porta e foi-se para um mundo de garotas gostosas, peitudas e não carecas.
   '' Não posso culpá-lo por não olhar para mim. Existe coisa muito melhor '', penso tristemente.
   Sem pensar esqueço de minha mãe e vou para o Jardim das Margaridas.
   O jardim se localiza na entrada do Hospital. É um vasto campo de terra polida por margaridas. É lindo, uma das coisas mas belas e puras que já vi na minha vida e que provavelmente, não terei muito tempo para ver.
   - Pois não? - pergunta a recepcionista, e enfim noto-a olhando-me.
   - Vou ali no jardim, somente. - ''Porra que mulher intrometida!''
   Já não aguento mais essa vida de leucemia para cá, e leucemia para lá. Penso em tudo que aconteceu durante esses anos na luta contra a doença e pretendo chorar.
   Como sempre, estava errada.

   O menino bonito do corredor estava lá.
   Ele estava sentando no banco, olhando para o chão com as mãos no bolso da calça comprida.
   Minha sombra irrompeu seu campo de visão e ele virou-se, percebendo minha presença. Ele parecia surpreso.
   - Ah - gaguejou - Ah...
   Nada respondi.
  - Você é a garota do bebedouro, né? - perguntou-me.
  Assenti.
  - Ah prazer, eu sou o Jim.
  Jim.
  Jim, Jim, Jim.
  Jim. Seu nome ecoa em meu ouvido.
  - Sou Tiffany.
  - Que lindo nome - disse e retirou suas mãos do bolso - Por que não tira esse capuz?
  Lembrei-me de tudo que havia esquecido por minutos: da leucemia, da careca, do Dr. Gray e da berrante mãe que tenho.
  - Acho melhor não.
  - Ah, qual foi? -perguntou - Não vou te avacalhar.
  Puta que pariu, tiro ou não tiro?
  Levo as mãos ao capuz e puxo-o. Jim faz cara de espantado, que o deixa sexy demais. Olho para o céu azul, querendo não saber o que vai acontecer agora.
  - Oh , oh - gagueja novamente ele, dessa vez olhando para minha careca - O que foi isso? Câncer?
  - Leucemia - corrijo-o.
  Ele cobriu a boca com a mão e disse:
  - Nossa, Tiffany, me desculpe ... - e o interrompo.
  - Cara eu não intendo porque as pessoas se desculpam por algo que não fizeram - digo e rimos juntos. Ele é amigável e até legal.
  Sua rizada é a coisa mais linda e meiga que já ouvi. Ela parece mel de tão doce.
  Fico feliz por estar feliz.

  - Mas então .. - disse Jim pondo sua mão sobre a minha depois de conversarmos sobre jujubas, Coca-Cola, M&M e cinema - E a sua leucemia? - não intendo o que ele quer dizer, mas chuto.
  - Descobri que tenho leucemia há três anos. A minha é do tipo aguda.
  - E ela pode matar? - perguntou.
  - Claro, se não tiver tratamento médico adequado - parei - Posso te contar minha história?
  Ele assentiu.
 - Desde o dia em que nasci, meu pai desapareceu. Nunca tiveram notícias dele, o que me levou a depressão aos seis anos.
 '' Quando cheguei aos treze, era comum todos os dias eu desmaiar na hora do recreio ou perceber que o volume do cabelo estava ficando menor. Viva sempre tonta e com fortes dores de cabeça. Sentia muito sono e tinha pouco apetite. Um dia, fui ao médico.
 Ele me olhava como se eu fosse a mulher de seus sonhos e me deu uma enorme vontade de beijá-lo e de fazê-lo meu, coisa que eu nunca senti.
 Continuei:
 - Depois dos exames, era óbvio que eu estava com leucemia. Em meses fiquei careca e mais uma vez caí em depressão. Desde então, estou na luta.
  Sorri de uma forma que tentasse quebrar o silêncio que se passava, mais ele não retribuiu.
  Pensei que ele ia perguntar-me alguma coisa relacionada a minha história, mas o que saiu dos seus lábios foram apenas essa pergunta que me deu vontade de vomitar:
  - Você já namorou?
  - Não !! ... - respondo.
  - Já teve vontade? - perguntou, e eu estava perdendo o rumo dessa conversa.
  - Não sei .. - não sei se falei a verdade, porque o homem que me deixou pela primeira vez com a ''vontade de querer namorar'' estava na minha frente.
  Ele me pergunta:
  - Você quer sair comigo? - ele fica meio vermelho - Sei lá, tipo ir ao cinema.

Prológo ( P.O.V Tiffany )

  Eu estava sentada no jardim, sentindo os últimos raios de sol em meu rosto
  Meu nome é Tiffany Singer Stryder e estou caminhando para os dezesseis. Minha vida é uma merda. Talvez não seja tão merda assim. Talvez seja. Ah, isso que se foda, vamos ao que importa.
  Eu estou careca. Sabe o que é ser C-A-R-E-C-A? Cara, se você nunca foi careca na vida, sinta-se sortudo.
  E tudo é culpa da maldita leucemia.

   Há três dias atrás quando tive minha sétima consulta ao Dr. Gray, meu hematologista foi que minha vida deu uma reviravolta.
  - O tumor de Tiffany encolheu um pouco - disse o médico - Mas pode piorar. Estamos tentando de tudo para curá-la, Sra. Singer.
   Minha mãe foi aos berros e choros. Retirei-me, envergonhada, e fui beber um copo d' água.
   E para minha sorte (ou azar) lá estava Jim Jackson.